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Como cobrar instalação marcenaria: %, hora ou frete

Instalação de marcenaria: 8% a 15% do móvel ou R$ 80 a R$ 150/h por equipe, mais frete quando não é vizinho. O que entra na conta e erros que comem margem.

Publicado em 1 de setembro de 2026

Como cobrar instalação marcenaria na prática: ou você embute no preço do móvel (8% a 15% do valor da marcenaria, dependendo da complexidade), ou cobra hora de equipe (na oficina pequena, algo como R$ 80 a R$ 150/h por montador, ajuste na sua cidade), mais deslocamento quando não é bairro vizinho. O cliente precisa ver o que entra: frete, montagem, ajuste, silicone, retorno por defeito de obra. Sem isso escrito, instalação vira presente que você dá com a serra ligada.

Por que instalação não pode ser "de brinde"

Montagem no cliente não é só parafusar módulo. É frete, embalagem, equipe parada no trânsito, elevador que não sobe, parede torta, cliente pedindo "só mais um furo". Quem não cobra direito trabalha igual time que ganha no ataque e perde no acréscimo: o placar bonito some na conta do banco.

Instalação mal precificada também mata a margem do móvel. Você fechou 30% no projeto, mas gastou dois dias com três caras na obra sem ter colocado isso no orçamento. Na segunda-feira você descobre que lucrou no papel e perdeu na rua.

Antes de fechar qualquer número, vale fazer uma visita técnica de verdade. Acesso, elevador, pedra pronta ou não, obra liberada: tudo isso muda hora de equipe e quantidade de retorno. Chutar instalação no escritório é pedir pra levar cartão amarelo na montagem.

Quanto cobrar de instalação na proposta

Na proposta, instalação pode aparecer de três formas, e cada uma comunica algo diferente pro cliente:

Forma na propostaO que o cliente entendeQuando usar
Linha separada ("Instalação e logística")Serviço explícito, fácil de compararCozinha, closet, ambiente inteiro
Percentual embutido no móvel"Preço fechado"Cliente que odeia ver muitas linhas
Hora/diária + frete à parteEscopo variável, cobrança justaReforma, muito ajuste in loco

A pergunta que mais aparece no Zap: "instalação já tá inclusa?" Resposta honesta: só tá inclusa se você somou hora, frete e risco antes de escrever. Caso contrário, você tá subsidiando o cliente com a margem do móvel.

Proposta de marcenaria com valor do móvel e instalação em linhas separadas

Embutir no móvel ou linha separada?

Em linha separada (recomendado na maioria dos casos): transparência, menos briga na hora H, e você consegue revisar instalação quando o projeto muda sem mexer no valor da marcenaria. Cliente vê "R$ 28.000 móveis" e "R$ 3.360 instalação" e entende onde foi cada real.

Embutido no móvel: funciona quando o cliente pede "valor fechado" ou quando a instalação é simples e previsível (poucos módulos, bairro perto). Você calcula o % por baixo dos panos e apresenta um número só. Risco: se a obra complicar, você não tem linha pra mostrar que o extra é legítimo.

Regra prática: se tem chance de segunda viagem, pedra de terceiro ou acesso ruim, separa a linha. Se é balcão pequeno com entrega no térreo, embutir 10% pode ser mais limpo. O importante é ter calculado antes, não escolher o formato pra esconder que esqueceu de cobrar.

Três jeitos de cobrar (e quando usar cada um)

1. Percentual sobre o valor da marcenaria

É o mais comum em cozinha, closet e ambiente inteiro.

ComplexidadeFaixa usual sobre o móvelQuando faz sentido
Montagem simples (poucos módulos, acesso fácil)8% a 10%Bairro perto, sem pedra sua, sem desmontagem
Padrão (cozinha média, alguns recortes)10% a 12%Visita + frete + 1 dia de equipe
Pesada (ilha, muito filler, andar alto, desmontagem)12% a 15% ou maisObra longa, risco alto, retorno provável

O percentual só funciona se o valor do móvel já estiver certo. Se você subprecificou material, 12% de instalação em cima de número furado continua furado. Antes de brigar com o %, confere se a base tá redonda. Como precificar marcenaria no geral é o mesmo jogo: custo cheio, depois margem.

2. Por hora de equipe

Bom quando o escopo é imprevisível: reforma em apartamento antigo, muito ajuste in loco, cliente que ainda não fechou layout.

Regra de bolso (ajuste pro seu custo):

  • Some salário + encargo + alimentação + ferramenta da equipe.
  • Divida pelo número de horas produtivas no mês.
  • Acrescente deslocamento e "hora parada" (obra sem elevador, espera de pedra).

Na prática, muita oficina cobra por diária de montagem em vez de hora no papel, mas por trás é hora mesmo. Três montadores × 8 h × sua taxa = piso mínimo. Se o cliente pedir "só instala", manda esse número antes de agendar caminhão.

Pra não chutar a taxa/hora, amarra com custos fixos da marcenaria: aluguel, luz, salário administrativo e equipe de montagem entram no rateio. Instalação não é "extra" fora da planilha; é MO que precisa pagar conta fixa igual produção na oficina.

3. Por deslocamento (visita / frete)

Separe quando:

  • Frete urbano curto: valor fixo por região (zona norte, zona sul, etc.).
  • Grande distância ou interior: km + pedágio + diária se for dormir.
  • Segunda viagem por erro de medida do cliente ou mudança de projeto: cobrança cheia, sem vergonha.

Frase que salva: "Orçamento inclui uma visita de instalação. Retorno por alteração de projeto ou condição não informada na visita será cotado à parte."

Exemplo fechado: cozinha de R$ 28.000

Projeto real de oficina pequena, números redondos pra você adaptar:

ItemValor
Marcenaria (módulos, ferragem, MO fábrica, margem)R$ 28.000
Estimativa: 3 montadores × 8 h × R$ 100/hR$ 2.400
Frete ida + volta + descargaR$ 450
Material de fixação + siliconeR$ 180
Subtotal instalação (custo)R$ 3.030
Margem de segurança (~10% sobre instalação)R$ 303
Instalação na propostaR$ 3.333

Comparando com percentual: R$ 3.333 ÷ R$ 28.000 = 11,9%. Dentro da faixa 10–12% de cozinha padrão. Se a mesma cozinha fosse andar alto sem elevador de carga, você subiria horas (guincho, desmontar porta) e o % poderia ir pra 13–14%. Use o maior entre conta por hora e percentual de referência, não a média bonita.

Cliente vê na proposta:

  • Marcenaria: R$ 28.000
  • Instalação e logística: R$ 3.333
  • Total: R$ 31.333

Transparência evita áudio de 4 minutos na hora da montagem pedindo desconto.

O que incluir na linha de instalação

Lista direta pro orçamento e pro Zap:

ItemIncluir ou deixar explícito
Frete ida (e volta se levar sobra)Incluir ou valor à parte
Descarregar e levar ao ambienteIncluir
Montagem de módulos, portas, gavetasIncluir
Ajuste em filler, calço, recorte leveIncluir dentro do combinado
Silicone, bucha, parafuso extraIncluir (material barato, briga cara)
Desmontagem do móvel antigoSó se cotou
Instalação de pedra / eletro / gásSó se é seu serviço
Limpeza fina pós-obraOpcional (muita gente cobra à parte)
Retorno por defeito seuIncluir (custo seu)
Retorno por mudança do clienteÀ parte

No orçamento de cozinha planejada, instalação aparece junto com módulo e ferragem. Em closet ou home office, o cliente às vezes acha que "móvel planejado" já vem montado no preço. Escreve na proposta: "Valor da marcenaria" e "Valor da instalação e logística" em linhas separadas.

Erros comuns (e como não dar mole)

  • Instalação "inclusa" sem ter calculado. Você colocou no PDF porque o concorrente coloca. Na hora H, três dias de obra saem do seu bolso.
  • Cobrar só ida e esquecer retorno. Pedra atrasou, equipe voltou, você pagou diária de novo sem ter previsto.
  • Não cobrar espera. Marmoraria não chegou, cliente não liberou elevador, obra parada 3 h: ou tá no contrato ou vira prejuízo.
  • Misturar instalação com margem do móvel sem saber quanto é cada coisa. Quando o cliente pede desconto, você corta onde dói menos no papel e mais na vida real.
  • Subestimar acesso. Escada estreita, guincho, desmontar porta de apartamento: isso é tempo. Tempo é dinheiro.
  • Prometer "instala em um dia" em cozinha grande sem reserva. Atraso vira desconto que você nunca colocou na planilha.

Quem já montou cozinha em prédio antigo sabe: o problema raramente é o parafuso. É tudo ao redor do parafuso. Material do SEBRAE sobre formação de preço reforça o básico: some custo direto, indireto e margem antes de fechar valor. Instalação entra no custo direto, não no "depois a gente vê".

Como colocar no orçamento (modelo rápido)

  1. Calcule custo do móvel (material + MO fábrica + margem).
  2. Estime horas de instalação × custo/hora da equipe + frete.
  3. Compare com o % (8–15%). Use o maior dos dois, não a média bonita.
  4. Escreva na proposta o que entra e o que não entra.
  5. Se o projeto mudar depois do OK, revisão de orçamento com nova linha de instalação.

Instalação não é extra filosófico. É etapa de produção que acontece na casa do cliente, com risco e desgaste. Cobrar certo é respeitar o ofício, não ser "caro".

Instalação e margem: onde encaixa no todo

Instalação entra no custo antes da margem de lucro, não depois como "sobra". Se você aplica 30% em cima do móvel mas a instalação foi chute, sua margem real cai pra 18% sem você perceber.

Pensa como setlist dos Stones: o show não é só o riff. Tem montagem de palco, transporte, equipe. Se você só precifica o riff, o show fecha no vermelho.

Perguntas frequentes

Instalação inclusa é obrigatória na proposta?

Não existe lei que obrigue "instalação grátis". O que existe é expectativa do cliente e hábito de mercado. Você pode cobrar à parte, embutir no móvel ou oferecer "entrega sem montagem" com desconto. O erro é prometer inclusa sem ter calculado hora e frete.

Quanto cobrar de pedágio e km?

Cobra o que sair do bolso + tempo de deslocamento. Muita oficina usa tabela por região (zona, cidade vizinha, interior) em vez de planilha de km na hora. Interior com pernoite: diária de equipe + hospedagem + pedágio ida e volta. Deixa explícito na proposta.

E se a pedra atrasar e a equipe voltar depois?

Ou você previu segunda viagem no orçamento (obra com risco de marmoraria terceirizada) ou cobra retorno à parte. Frase no contrato: instalação da marcenaria depende de pedra nivelada e ambiente liberado na data combinada. Atraso por terceiro não é sua diária de graça.

Cliente pediu só o móvel, sem instalação. E agora?

Válido. Entrega na oficina ou frete até o cliente sem montagem, com valor menor. Deixa claro que garantia de ajuste fino e alinhamento de portas pode exigir equipe sua (cobrada à parte). Evita briga de "comprei planejado e a porta não fecha".

Posso cobrar visita antes de fechar instalação?

Sim, e em obra complexa faz sentido. Visita técnica paga (ou abatida no contrato) filtra cliente que só quer número no Zap e te dá dados pra não chutar hora. Use o checklist de visita e devolve proposta com instalação calculada, não "a combinar".

Percentual ou hora: qual é mais seguro?

Percentual é mais rápido de cotar quando o móvel e a complexidade são padrão. Hora/diária é mais justo quando o risco é alto (reforma, acesso ruim, muito filler). Na dúvida, faz as duas contas e leva a que der maior valor na proposta.

Resposta curta

  • Como cobrar instalação marcenaria: 8–15% do valor do móvel ou hora/diária de equipe + deslocamento, o que der mais seguro.
  • Inclua: frete, montagem, ajustes combinados, material de fixação, retorno por defeito seu.
  • Deixe fora (ou cobre à parte): desmontagem, pedra, eletro, segunda viagem por mudança do cliente.
  • Erro clássico: "instalação inclusa" sem ter somado hora e frete de verdade.

Jabá de oficina: depois que você fechou instalação no preço, montar a proposta inteira ainda pode comer o dia. O Orça Pra Mim lê PDF, croqui ou áudio do Zap e solta orçamento com sua margem. Dois projetos grátis pra testar sem enrolação.