Como cobrar instalação marcenaria na prática: ou você embute no preço do móvel (8% a 15% do valor da marcenaria, dependendo da complexidade), ou cobra hora de equipe (na oficina pequena, algo como R$ 80 a R$ 150/h por montador, ajuste na sua cidade), mais deslocamento quando não é bairro vizinho. O cliente precisa ver o que entra: frete, montagem, ajuste, silicone, retorno por defeito de obra. Sem isso escrito, instalação vira presente que você dá com a serra ligada.
Por que instalação não pode ser "de brinde"
Montagem no cliente não é só parafusar módulo. É frete, embalagem, equipe parada no trânsito, elevador que não sobe, parede torta, cliente pedindo "só mais um furo". Quem não cobra direito trabalha igual time que ganha no ataque e perde no acréscimo: o placar bonito some na conta do banco.
Instalação mal precificada também mata a margem do móvel. Você fechou 30% no projeto, mas gastou dois dias com três caras na obra sem ter colocado isso no orçamento. Na segunda-feira você descobre que lucrou no papel e perdeu na rua.
Antes de fechar qualquer número, vale fazer uma visita técnica de verdade. Acesso, elevador, pedra pronta ou não, obra liberada: tudo isso muda hora de equipe e quantidade de retorno. Chutar instalação no escritório é pedir pra levar cartão amarelo na montagem.
Quanto cobrar de instalação na proposta
Na proposta, instalação pode aparecer de três formas, e cada uma comunica algo diferente pro cliente:
| Forma na proposta | O que o cliente entende | Quando usar |
|---|---|---|
| Linha separada ("Instalação e logística") | Serviço explícito, fácil de comparar | Cozinha, closet, ambiente inteiro |
| Percentual embutido no móvel | "Preço fechado" | Cliente que odeia ver muitas linhas |
| Hora/diária + frete à parte | Escopo variável, cobrança justa | Reforma, muito ajuste in loco |
A pergunta que mais aparece no Zap: "instalação já tá inclusa?" Resposta honesta: só tá inclusa se você somou hora, frete e risco antes de escrever. Caso contrário, você tá subsidiando o cliente com a margem do móvel.

Embutir no móvel ou linha separada?
Em linha separada (recomendado na maioria dos casos): transparência, menos briga na hora H, e você consegue revisar instalação quando o projeto muda sem mexer no valor da marcenaria. Cliente vê "R$ 28.000 móveis" e "R$ 3.360 instalação" e entende onde foi cada real.
Embutido no móvel: funciona quando o cliente pede "valor fechado" ou quando a instalação é simples e previsível (poucos módulos, bairro perto). Você calcula o % por baixo dos panos e apresenta um número só. Risco: se a obra complicar, você não tem linha pra mostrar que o extra é legítimo.
Regra prática: se tem chance de segunda viagem, pedra de terceiro ou acesso ruim, separa a linha. Se é balcão pequeno com entrega no térreo, embutir 10% pode ser mais limpo. O importante é ter calculado antes, não escolher o formato pra esconder que esqueceu de cobrar.
Três jeitos de cobrar (e quando usar cada um)
1. Percentual sobre o valor da marcenaria
É o mais comum em cozinha, closet e ambiente inteiro.
| Complexidade | Faixa usual sobre o móvel | Quando faz sentido |
|---|---|---|
| Montagem simples (poucos módulos, acesso fácil) | 8% a 10% | Bairro perto, sem pedra sua, sem desmontagem |
| Padrão (cozinha média, alguns recortes) | 10% a 12% | Visita + frete + 1 dia de equipe |
| Pesada (ilha, muito filler, andar alto, desmontagem) | 12% a 15% ou mais | Obra longa, risco alto, retorno provável |
O percentual só funciona se o valor do móvel já estiver certo. Se você subprecificou material, 12% de instalação em cima de número furado continua furado. Antes de brigar com o %, confere se a base tá redonda. Como precificar marcenaria no geral é o mesmo jogo: custo cheio, depois margem.
2. Por hora de equipe
Bom quando o escopo é imprevisível: reforma em apartamento antigo, muito ajuste in loco, cliente que ainda não fechou layout.
Regra de bolso (ajuste pro seu custo):
- Some salário + encargo + alimentação + ferramenta da equipe.
- Divida pelo número de horas produtivas no mês.
- Acrescente deslocamento e "hora parada" (obra sem elevador, espera de pedra).
Na prática, muita oficina cobra por diária de montagem em vez de hora no papel, mas por trás é hora mesmo. Três montadores × 8 h × sua taxa = piso mínimo. Se o cliente pedir "só instala", manda esse número antes de agendar caminhão.
Pra não chutar a taxa/hora, amarra com custos fixos da marcenaria: aluguel, luz, salário administrativo e equipe de montagem entram no rateio. Instalação não é "extra" fora da planilha; é MO que precisa pagar conta fixa igual produção na oficina.
3. Por deslocamento (visita / frete)
Separe quando:
- Frete urbano curto: valor fixo por região (zona norte, zona sul, etc.).
- Grande distância ou interior: km + pedágio + diária se for dormir.
- Segunda viagem por erro de medida do cliente ou mudança de projeto: cobrança cheia, sem vergonha.
Frase que salva: "Orçamento inclui uma visita de instalação. Retorno por alteração de projeto ou condição não informada na visita será cotado à parte."
Exemplo fechado: cozinha de R$ 28.000
Projeto real de oficina pequena, números redondos pra você adaptar:
| Item | Valor |
|---|---|
| Marcenaria (módulos, ferragem, MO fábrica, margem) | R$ 28.000 |
| Estimativa: 3 montadores × 8 h × R$ 100/h | R$ 2.400 |
| Frete ida + volta + descarga | R$ 450 |
| Material de fixação + silicone | R$ 180 |
| Subtotal instalação (custo) | R$ 3.030 |
| Margem de segurança (~10% sobre instalação) | R$ 303 |
| Instalação na proposta | R$ 3.333 |
Comparando com percentual: R$ 3.333 ÷ R$ 28.000 = 11,9%. Dentro da faixa 10–12% de cozinha padrão. Se a mesma cozinha fosse andar alto sem elevador de carga, você subiria horas (guincho, desmontar porta) e o % poderia ir pra 13–14%. Use o maior entre conta por hora e percentual de referência, não a média bonita.
Cliente vê na proposta:
- Marcenaria: R$ 28.000
- Instalação e logística: R$ 3.333
- Total: R$ 31.333
Transparência evita áudio de 4 minutos na hora da montagem pedindo desconto.
O que incluir na linha de instalação
Lista direta pro orçamento e pro Zap:
| Item | Incluir ou deixar explícito |
|---|---|
| Frete ida (e volta se levar sobra) | Incluir ou valor à parte |
| Descarregar e levar ao ambiente | Incluir |
| Montagem de módulos, portas, gavetas | Incluir |
| Ajuste em filler, calço, recorte leve | Incluir dentro do combinado |
| Silicone, bucha, parafuso extra | Incluir (material barato, briga cara) |
| Desmontagem do móvel antigo | Só se cotou |
| Instalação de pedra / eletro / gás | Só se é seu serviço |
| Limpeza fina pós-obra | Opcional (muita gente cobra à parte) |
| Retorno por defeito seu | Incluir (custo seu) |
| Retorno por mudança do cliente | À parte |
No orçamento de cozinha planejada, instalação aparece junto com módulo e ferragem. Em closet ou home office, o cliente às vezes acha que "móvel planejado" já vem montado no preço. Escreve na proposta: "Valor da marcenaria" e "Valor da instalação e logística" em linhas separadas.
Erros comuns (e como não dar mole)
- Instalação "inclusa" sem ter calculado. Você colocou no PDF porque o concorrente coloca. Na hora H, três dias de obra saem do seu bolso.
- Cobrar só ida e esquecer retorno. Pedra atrasou, equipe voltou, você pagou diária de novo sem ter previsto.
- Não cobrar espera. Marmoraria não chegou, cliente não liberou elevador, obra parada 3 h: ou tá no contrato ou vira prejuízo.
- Misturar instalação com margem do móvel sem saber quanto é cada coisa. Quando o cliente pede desconto, você corta onde dói menos no papel e mais na vida real.
- Subestimar acesso. Escada estreita, guincho, desmontar porta de apartamento: isso é tempo. Tempo é dinheiro.
- Prometer "instala em um dia" em cozinha grande sem reserva. Atraso vira desconto que você nunca colocou na planilha.
Quem já montou cozinha em prédio antigo sabe: o problema raramente é o parafuso. É tudo ao redor do parafuso. Material do SEBRAE sobre formação de preço reforça o básico: some custo direto, indireto e margem antes de fechar valor. Instalação entra no custo direto, não no "depois a gente vê".
Como colocar no orçamento (modelo rápido)
- Calcule custo do móvel (material + MO fábrica + margem).
- Estime horas de instalação × custo/hora da equipe + frete.
- Compare com o % (8–15%). Use o maior dos dois, não a média bonita.
- Escreva na proposta o que entra e o que não entra.
- Se o projeto mudar depois do OK, revisão de orçamento com nova linha de instalação.
Instalação não é extra filosófico. É etapa de produção que acontece na casa do cliente, com risco e desgaste. Cobrar certo é respeitar o ofício, não ser "caro".
Instalação e margem: onde encaixa no todo
Instalação entra no custo antes da margem de lucro, não depois como "sobra". Se você aplica 30% em cima do móvel mas a instalação foi chute, sua margem real cai pra 18% sem você perceber.
Pensa como setlist dos Stones: o show não é só o riff. Tem montagem de palco, transporte, equipe. Se você só precifica o riff, o show fecha no vermelho.
Perguntas frequentes
Instalação inclusa é obrigatória na proposta?
Não existe lei que obrigue "instalação grátis". O que existe é expectativa do cliente e hábito de mercado. Você pode cobrar à parte, embutir no móvel ou oferecer "entrega sem montagem" com desconto. O erro é prometer inclusa sem ter calculado hora e frete.
Quanto cobrar de pedágio e km?
Cobra o que sair do bolso + tempo de deslocamento. Muita oficina usa tabela por região (zona, cidade vizinha, interior) em vez de planilha de km na hora. Interior com pernoite: diária de equipe + hospedagem + pedágio ida e volta. Deixa explícito na proposta.
E se a pedra atrasar e a equipe voltar depois?
Ou você previu segunda viagem no orçamento (obra com risco de marmoraria terceirizada) ou cobra retorno à parte. Frase no contrato: instalação da marcenaria depende de pedra nivelada e ambiente liberado na data combinada. Atraso por terceiro não é sua diária de graça.
Cliente pediu só o móvel, sem instalação. E agora?
Válido. Entrega na oficina ou frete até o cliente sem montagem, com valor menor. Deixa claro que garantia de ajuste fino e alinhamento de portas pode exigir equipe sua (cobrada à parte). Evita briga de "comprei planejado e a porta não fecha".
Posso cobrar visita antes de fechar instalação?
Sim, e em obra complexa faz sentido. Visita técnica paga (ou abatida no contrato) filtra cliente que só quer número no Zap e te dá dados pra não chutar hora. Use o checklist de visita e devolve proposta com instalação calculada, não "a combinar".
Percentual ou hora: qual é mais seguro?
Percentual é mais rápido de cotar quando o móvel e a complexidade são padrão. Hora/diária é mais justo quando o risco é alto (reforma, acesso ruim, muito filler). Na dúvida, faz as duas contas e leva a que der maior valor na proposta.
Resposta curta
- Como cobrar instalação marcenaria: 8–15% do valor do móvel ou hora/diária de equipe + deslocamento, o que der mais seguro.
- Inclua: frete, montagem, ajustes combinados, material de fixação, retorno por defeito seu.
- Deixe fora (ou cobre à parte): desmontagem, pedra, eletro, segunda viagem por mudança do cliente.
- Erro clássico: "instalação inclusa" sem ter somado hora e frete de verdade.
Jabá de oficina: depois que você fechou instalação no preço, montar a proposta inteira ainda pode comer o dia. O Orça Pra Mim lê PDF, croqui ou áudio do Zap e solta orçamento com sua margem. Dois projetos grátis pra testar sem enrolação.
