Hora-homem na marcenaria é o que a oficina gasta de verdade por hora produtiva de quem corta, fura, monta ou projeta. A conta é: some salário, encargos, benefícios e a fatia do custo fixo daquela pessoa; divida pelas horas que ela realmente produz no mês (não pelas 220 teóricas). Sem esse número, o orçamento vira chute e a margem some no silêncio.
Por que marceneiro erra a hora e ainda acha que está no lucro
Você olha o salário líquido, multiplica por umas horas e fecha. Só que o cliente não paga o salário. Ele paga a estrutura inteira que deixa aquela pessoa na máquina: FGTS, 13º, férias, vale, energia, aluguel, manutenção, EPI.
É igual time que conta só o salário do atacante e esquece comissão técnica, viagem e físico. No placar parcial parece barato. No fim do campeonato, o caixa chora.
Quem precifica sem hora-homem real costuma:
- cobrar pouco em projeto que come tempo (curvas, recortes, visita)
- achar que "deu lucro" porque o material fechou e esquecer a mão de obra
- comparar preço com concorrente sem saber se o cara está se pagando
Base completa de precificação: como precificar marcenaria. Aqui o foco é só a hora.
Fórmula da hora-homem (direta)
Custo mensal da pessoa =
salário bruto
+ encargos (INSS patronal, FGTS, provisão 13º e férias, etc.)
+ benefícios (VT, VR, plano, se tiver)
+ parcela do custo indireto (aluguel, energia, manutenção, EPI rateados)
Horas produtivas no mês =
jornada prevista − faltas − feriados − pausas longas − tempo ocioso recorrente
Hora-homem = Custo mensal ÷ Horas produtivas
Regra de bolso: se você usa 220 horas no denominador e a oficina vive com visita, setup e espera de material, a hora sai artificialmente barata. Prefira 150 a 176 horas produtivas em oficina pequena, e ajuste com o que você mede.
Exemplo numérico (oficina pequena)
| Linha | Valor |
|---|---|
| Salário bruto | R$ 2.200 |
| Encargos e provisões (aprox. 60% do bruto, MEI/CLT varia) | R$ 1.320 |
| Benefícios | R$ 400 |
| Parcela do fixo rateada (1 de 4 pessoas) | R$ 500 |
| Custo mensal | R$ 4.420 |
| Horas produtivas reais | 160 |
| Hora-homem | R$ 27,63 |
Se você tivesse usado só o bruto ÷ 220: R$ 10 /h. Beleza de planilha, furada de caixa.
Como usar no orçamento: estime horas de corte + borda + furação + montagem + instalação + revisão. Multiplique pela hora-homem. Some material, ferragem, frete, terceiros e a margem sobre o preço final.
Horas produtivas: o denominador que ninguém quer olhar
Produtivo não é "estar na oficina". É tempo que vira peça, montagem ou projeto fechado.
Desconte com honestidade:
- deslocamento e visita técnica
- espera de material / frete atrasado
- limpeza pesada e setup de máquina
- retrabalho (esse ainda deve virar aprendizado, não "hora normal")
- reunião, WhatsApp eterno, orçamento que não fecha
Orçamento simples às vezes sai rapidinho. PDF de arquiteto com ~20 a 60 páginas, na mão, facilmente come 1 a 2 horas só pra montar a proposta. Se a sua hora de orçar não entra em lugar nenhum, você está doando a cabeça.
Custos indiretos: o que entra no rateio
Não precisa virar contador. Precisa não fingir que aluguel é "do dono".
| Indireto | Como ratear |
|---|---|
| Aluguel / condomínio | ÷ número de pessoas produtivas |
| Energia e compressores | idem, ou por consumo estimado da área |
| Manutenção de máquina | média mensal ÷ equipe |
| EPI e ferramenta comum | média mensal ÷ equipe |
| Software, internet, combustível da van | se serve a produção, rateia |
Se você já tem o custo fixo mensal fechado, a parcela da hora-homem fica mais fácil: pegue o fixo, tire o que já está no salário, e divida.
Erros clássicos (e como matar no peito)
- Usar 220 horas sempre. Infla produtividade no papel.
- Ignorar encargos. CLT e MEI não têm a mesma conta; ajuste à sua realidade.
- Esquecer instalação. A hora do montador também é hora-homem (ou hora-terceiro com markup).
- Não atualizar. Reajuste salarial, aluguel novo, energia cara: revise a cada trimestre ou quando o fixo mudar.
- Misturar hora de dono com hora de ajudante. Se você orça, vende e corta, a sua hora costuma ser mais cara. Use faixas.
- Aplicar a mesma hora em todo serviço. Projeto chato de medida + obra suja merece proteção maior (mais horas ou margem maior).
Checklist rápido antes de precificar
- Listei salário + encargos + benefícios por pessoa?
- Rateei aluguel, energia e manutenção?
- Usei horas produtivas reais (não teóricas)?
- Separei hora de fábrica e hora de instalação?
- Multipliquei as horas estimadas do job pela hora certa?
- Somei material e ferragem à parte (não "escondi" na hora)?
- Apliquei margem sobre o preço final, não markup confuso?
- Anotei horas reais no fim do job pra calibrar o próximo?
Como a hora-homem conversa com o orçamento do dia a dia
Na prática de oficina:
- Feche a hora-homem uma vez e cole numa tabela viva.
- No job, estime etapas em horas (mesmo que grosso).
- Depois da entrega, compare estimado x real em 2 ou 3 projetos do mês.
- Ajuste o "feeling" (cozinha padrão X horas, closet Y).
Quem nunca anota hora vive no improvisado estilo jam de 20 minutos: soa bonito no momento, mas o single (o orçamento que fecha) nunca sai limpo.
Quando o input é PDF ou croqui, a parte chata é montar a lista. Aí ajuda ter processo rápido: orçamento a partir de PDF ou por descrição/croqui. A hora-homem continua sendo sua; a ferramenta só evita digitar módulo duas vezes.
Resposta curta
Como calcular a hora-homem na marcenaria: some custo mensal real da pessoa (salário, encargos, benefícios, parcela do fixo) e divida pelas horas produtivas do mês. Use esse valor × horas do projeto, some material e aplique margem. Revise quando salário ou fixo mudar. Sem denominador honesto, o preço bonito no Zap é prejuízo disfarçado.
Jabá sincero: o Orça Pra Mim é o sistema de orçamento de marcenaria que gera proposta a partir de PDF do arquiteto ou descrição/croqui, com preços e margem que você define. Você coloca a hora e o markup da oficina; ele acelera a montagem do orçamento. Testa com 2 projetos grátis.
