Capacidade produtiva na marcenaria é o volume de trabalho que você consegue vender, produzir, montar e entregar no prazo sem queimar margem. Não é “quantos pedidos cabem no papo”. É horas reais da equipe, complexidade de cada obra e o gargalo que trava o fluxo (compra, corte, montagem ou instalação). Sem esse número, vender mais vira atraso, hora extra e lucro que some na reta final.
Por que capacidade é assunto de preço, não só de fábrica
Cliente cobra prazo. Você fecha. A oficina “dá um jeito”. No mês seguinte a montagem remarca, o frete vira emergência e a ferragem especial chega no último dia. O faturamento sobe no papel. A margem desce no caixa.
É o clássico time que marca no primeiro tempo e leva gol no acréscimo porque não fechou a defesa. Capacidade cheia sem recálculo de prazo é exatamente isso: você já ganhou a venda e ainda assim perde o jogo no custo.
Quando a agenda está lotada, o preço certo muitas vezes é outro. Urgência custa. Remanejamento custa. Comprar sem negociar custa. Se a margem de lucro não acompanha a fila, você está vendendo o próprio atraso.
O que entra no cálculo (de verdade)
Capacidade não é só serra ligada. Um pedido passa por medição, projeto, compra, corte, montagem, acabamento, instalação e, às vezes, assistência. Se uma etapa trava, o resto empilha.
| Etapa | O que consumir na conta | Sinal de gargalo |
|---|---|---|
| Orçamento / aprovação | Tempo comercial + revisão | Proposta demora, cliente some |
| Medição / conferência | Visita, fotos, versão final | Obra muda e ninguém atualiza |
| Compra | Lead time de chapa e ferragem | Falta material no meio do corte |
| Produção | Horas de máquina e gente | Fila na seccionadora ou CNC |
| Montagem / instalação | Agenda de equipe e deslocamento | Remarcação toda semana |
| Assistência | Horas de correção | Retrabalho come a semana “livre” |
Dois pedidos de R$ 25 mil podem pesar totalmente diferente. Um armário simples não ocupa a mesma fábrica que uma cozinha com torre quente, pedra, iluminação e obra atrasada. Contar só quantidade de contratos é o mesmo que achar que todo single dos Stones tem a mesma duração de jam: no papel parece igual, na prática o tempo explode.
Como calcular capacidade em 5 passos (versão oficina)
1. Liste os pedidos ativos por etapa
Não olhe só o lead novo. Capacidade já está comprometida. Separe: orçamento aprovado, medição conferida, compra pendente, em produção, montagem agendada, entregue, assistência aberta. Pedido sem etapa vira “tá andando” na conversa e parado na vida real.
2. Classifique esforço (pequeno, médio, grande, complexo)
Faixa basta no começo. Depois você vira horas por etapa. O ponto é não tratar banheiro miúdo e loja planejada como o mesmo peso.
3. Some horas reais disponíveis
Desconte reunião, deslocamento, manutenção, ausência e organização. Capacidade “100% produtiva” é mentira educada. Se uma pessoa só libera projeto ou só faz montagem, ela é o gargalo, não a média da equipe.
4. Cruze carga x agenda
Se a semana tem 100 horas úteis e os pedidos pedem 140, o atraso já está contratado. A pergunta deixa de ser “será que dá?” e vira “o que remanejamos, cobramos de urgência ou recusamos com prazo honesto?”.
5. Só então o comercial promete data
Prazo sem olhar capacidade é chute com carimbo. Quem precifica direito também precifica tempo: data apertada precisa de preço (ou de recusa educada).
Capacidade cheia: recusar, remarcar ou cobrar mais?
Nem sempre recusa. Às vezes basta:
- Negociar data real
- Dividir entrega (ambiente A agora, B depois)
- Cobrar urgência (hora extra, frete, compra emergencial)
- Segurar venda ruim que consome a fila e paga pouco
O erro é aceitar tudo com a mesma promessa. Cliente urgente que “só quer encaixar” empurra outro cliente pra frente. Sem recálculo, você doa margem em silêncio.
Erros comuns ao medir capacidade
- Medir só produção e esquecer medição, compra e montagem
- Ignorar retrabalho e assistência (horas que “não existem” no plano)
- Aceitar urgente sem impacto na agenda
- Contar pedidos iguais quando a complexidade é outra
- Prometer prazo no WhatsApp sem olhar a fila
Retrabalho não é detalhe. É capacidade queimada. Se a medição falha, a serra corta errado e a equipe perde o dia: isso não volta. Por isso o checklist de medição antes do corte conversa direto com capacidade e margem.
Checklist rápido
- Pedidos ativos listados por etapa
- Projetos complexos separados dos simples
- Horas reais da equipe calculadas (não a semana ideal)
- Gargalo de máquina ou pessoa visível
- Agenda de montagem ligada à produção
- Compra acompanhando o cronograma
- Retrabalho e assistência na conta
- Comercial consulta capacidade antes de prometer
- Urgência passa por recálculo de preço e prazo
- Semana acima da capacidade identificada
Orçamento rápido sem vender o que não cabe
Orçar bem não é só achar material e mão de obra. É saber se a data que você coloca na proposta é honesta. PDF de arquiteto com ~20 a 60 páginas na mão fácil leva 1 a 2 horas; com processo e sistema, a primeira versão costuma sair em 5 a 15 minutos. Orçamento miúdo às vezes sai rapidinho. O problema começa quando a velocidade da proposta não conversa com a capacidade da oficina: você fecha rápido e entrega atrasado.
Orça Pra Mim é o sistema de orçamento de marcenaria que gera proposta a partir de PDF do arquiteto ou descrição/croqui, com preços e margem definidos pela oficina. Ele não vira ERP nem PCP completo. Ajuda a não perder lead por demora e a manter o número alinhado com a sua tabela. A fila da fábrica ainda é sua responsabilidade.
No fim: capacidade produtiva na marcenaria é o teto do que você pode prometer sem comer a própria margem. Número na parede (ou na planilha) bate papo solto. Quem sabe o limite vende melhor, cobra urgência quando faz sentido e para de transformar crescimento em atraso.
E aproveitando pra fazer meu jabá: se o gargalo começa no orçamento que demora e a fila comercial some, testa 2 projetos grátis. PDF ou croqui, com a sua margem. Você vê se a proposta sai no ritmo da oficina sem inventar prazo impossível.
